segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Da escolinha e suas viroses

Eu demorei para escrever. Muito, eu sei. E há tanta coisa passando pela minha cabeça esses dias que vou ter que dividir os assuntos. Isso se conseguir. Se não conseguir, vai tudo misturado aqui mesmo, rs. Pensei, repensei, pensei de novo. Prós, contras, opiniões alheias, bem estar dele, meu bem estar, bem estar financeiro da casa, tudo, tudo, tudo. E decidi colocar o Enzo na escolinha. Finalmente. Parece que ele estava até pedindo isso, sabe? Querendo mais atenção, novas musiquinhas, mais passeios. Do tipo: e aí, mamãe, vamos ficar nessa coisa nana nenê quanto tempo? Rs.

Foi mais de um mês de escolha. Pesquisa. Opiniões de novo (sempre, né? Rs). E a relação atenção com as crianças + proximidade de casa deu o primeiro lugar no podium para a Castelo Encantado. As tias são umas fofas e consegui vários depoimentos de mães cujos babies estão lá há anos, e desde bem cedo, e adoram. E depois de muito sofrimento (meu, óbvio), chegou o fatídico dia da adaptação. Resumindo - 1º dia: chororô + 1 hora de brincadeiras; 2º dia: chororô + 2 horas de brincadeiras; 3º dia: chororô + 3 horas de brincadeiras. Até que a tia disse: “ele chora 5 minutos e o resto do tempo fica bem, pode deixá-lo o período todo aqui”. Cara da mãe: :O

Aí, quando estava me recuperando do trauma de “meu filho não me quer mais”, eis que ele começa com uma diarréia feroz, de causar assadura (a primeira da sua vida) feia e febrinha. Médico = VIROSE! Caracas, me disseram que indo prá escolinha ele começaria a ter viroses, mas assim, na primeira semana? Nem bem passou meu trauma de adaptação de escolinha começa o trauma de primeira virose do filho??? Vou te contar, viu. E pior: a coisa cada dia tinha um sintoma diferente. Moral: no fim, virou uma faringite. “E ele tá com bastante secreção no pulmão, viu, mãe, então vamos dar antibiótico”. Ah tá, suuuper cool.

Imagina seu filho, todo cuidadinho durante 9 meses, leitinho materno, nada de gripes e resfriados, no máximo febres de vacinas e diarréias de dentes nascendo, vai prá escolinha, pega virose, fica magriiinho e com aquele olhar paraaaado. Morri.......

....... pronto, nasci de novo. Sim, porque virose passa. A gente tem que ter paciência, acordar mil vezes de madrugada (e olha que dizem que são só os primeiros meses de vida do bebê, rs), dar os remedinhos, e esperar. Ah tá, morrer um pouquinho a cada dor, cada febre, cada choro. Mas acordar no dia seguinte no salto da alma, pronta prá mais uma. E o que é pior: dá aquela vontadezinha de “já que foi assim melhor não ir prá escolinha, né?”. Mas não, há que ser forte e destemida e lembrar que é preciso pagar o leitinho do baby e as fraldas e lenços umedecidos e pomadas e roupas e sapatos e guardar dinheiro prá faculdade dele, e levá-lo de novo à escola.

E lá fui eu, bravamente. Me consolando: ele vai chorar, tá? Porque ficou a semana inteira grudado em você, então ele vai chorar muuuito. Aí eu entrego ele prá tia, chororô, portão se fecha. E cadê o chororô??? Cadê os berros da criança que não pode viver longe de mim? Cadêêê??? Rs. Moral da história: eu estou aqui desconsolada, tentando me concentrar no trabalho que não é pouco, depois de uma semana que me consumiu a alma (estou, literalmente, um lixinho ambulante, rs), e ele deve estar lá rindo e brincando com os amiguinhos. Porque obviamente se não fosse assim a escola teria ligado. Teria, né? :}

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vaca leiteira

Uma das coisas que mais me atormentavam durante a gravidez era a amamentação. Eu tinha pavor de não ter leite, mas também tinha um medinho do desconhecido que era amamentar. Será que eu conseguiria? Iria doer muito? Iria doer para sempre? Será que o Enzo iria engordar só com o meu leite? E muitos serás mais.

E com a ajuda de muita leitura + curso para gestantes do Santa Catarina + minha mãe segurando minha mão + creme passado pelo obstetra + o maior amor do mundo = eu virei uma verdadeira vaca leiteira com meu bezerrinho grudado no peito, primeiro a cada 2 horas (porque ele era magrinho e eu tive que incentivar a mamar bastante), depois a cada 3 horas.

Amamentar é algo ímpar. Inesquecível!

E o processo foi mais estressante mentalmente do que fisicamente, porque tive pouquíssimo tempo de dor, mas tinha que tirar a primeira parte do leite manualmente para que o Enzo mamasse o leite gordo e ganhasse peso rapidamente. E funcionou. E foi tudo lindo. E eu amei amamentar, foi uma das experiênciais mais incríveis e plenas da minha vida. No terceiro mês ele ganhou 1kg. Só mamando no peito! E eu rindo à toa...

Mas eu disse amei porque acabou. Um belo dia seu filho olha para você e diz: mamãe, não quero mais seu peito. Ok, ok, não foi bem assim (rsrsrs), mas ao contrário do que eu previa, situações e circunstâncias (nenhuma delas ruim, graças a Deus) nos levaram ao desmame. A decisão, a forma como aconteceu, confesso que para uma mãe taurina foi um choque. Ainda bem que faço terapia, rs.

Gente pequena que já sabe o que quer...

Intimamente, eu queria continuar. Eu achava que continuaria ao menos pela manhã e à noite, mas o Enzo é de uma personalidade forte, e para ele, ou era tudo ou nada. Moral da história: hoje, depois da poeira baixada, todos tranquilos, ele mama bastante NAN PRO 2. E adora. E está lindo, feliz.

E sei que isso foi o começo de um processo de independência que estava batendo na porta de tão necessário, sabe? Imaginem assim: minha família mora longe, aqui é São Paulo, então a família daqui e os amigos moram longe também, e o Enzo passa 24 horas da vidinha dele comigo. E algumas horas por dia com o pai, claro.

Nós nos divertimos muito, ele e eu. Saímos todos os dias para uma volta, eu não deixo de fazer quase nada por ter um filho: ele se acostumou desde cedo a mercados, shoppings, metrôs, e até ao escritório. Mas aos 8 meses, a criança começa a entender que ela é algo separado da mãe, que não somos a mesma coisa, e aí ele estava começando a não querer mais ir com ninguém, especialmente quando estou por perto.

A gente é parceirinho, sabe?

Talvez não tenha muito a ver (já que não sou eu a psicóloga), mas acho que o desmame está nos ajudando a entender que estar longe dá saudade, mas não mata (rs). Ele, de forma mais consciente, e eu lá no fundinho da alma.

Semana passada Enzo praticamente passou um dia só com o pai. Saiu, passeou, tomou mamadeira, comeu mingauzinho. Tudo com o pai. E tranquilíssimo. Fiquei tão orgulhosa! Nós já tomamos a decisão: em breve o Enzo vai para a escolinha meio período, para conviver com outras crianças, brincar bastante e gastar energia. Confesso que está cada vez mais difícil dar a atenção que ele precisa – imagina quando ele começar a andar (e juro, não deve demorar, rs)!

Vai dizer que não é precoce esse guri? rs

Sei que cada mãe passa por algo único e especial à sua maneira. Tem aquelas que amamentam muito, facilmente e até os 2 anos de idade do bebê, tem aquelas que não conseguem amamentar por falta de leite ou pela dor que sentem, tem aqueles bebês que não pegam o peito de jeito nenhum e aqueles que sofrem para desmamar. Cada caso é diferente, já que estamos falando de seres humanos, únicos e individuais, mesmo que em miniatura, né?

No meu caso, posso dizer de carteirinha: foi lindo, melhor do que eu sonhava, sinto uma saudade imensa de ter meu bebezinho se alimentando no meu peito e cada vez que olho uma foto ainda me emociono (acho que vai ser assim para sempre, será?). Mas confesso que essa nova fase também está intensa e estou bem feliz. Agora o Enzo pode ser alimentado por outras pessoas, e isso diminui minha ansiedade e preocupação. E ele está entrando numa rotina legal e comendo muuuita fruta, alguns cereais e as papinhas salgadas.

Depois de cortar o cabelo, com cara de homenzinho. Eu morro, né? rs

Ah, e antes, a hora de mamar era um chororô só, ele queria e tinha que ser naquela hora e pronto, só relaxava mais quando estava passeando. Agora noto que ele mostra fome, mas não chora mais. Só se ele vê a mamadeira e a gente fica viajando e demora prá por na boca. Ele continua um bezerrinho, rs.

Quanto a mim, na prática há um lado bom e um ruim. O bom é qe posso usar TODAS as minhas roupas, antes era um tal de blusinha de botão só, rs. Ah e posso passar creme e óleo no corpo todo sem tirar para amamentar. O lado ruim? Lá se foi meu silicone natural, rs.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A vida na materno idade

Mesmo quem planeja muito um filho é pego de surpresa depois do nascimento do bebê por mudanças radicais no dia a dia. Quando engravidei, as pessoas diziam: dorme bastante agora, porque depois... E eu não dormi, óbvio, porque a gente só entende a situação depois, quando passa por ela. Nos primeiros dias, quando eu estava grogue de sono, lembro de pensar “por que eu não tinha dormido mais durante na gravidez” (como se fosse adiantar, né?).

Um filho é mesmo significado de vida. Ele (a) parece uma grande lente de aumento, que amplifica tudo que somos. A parte boa e a parte ruim. E como é difícil, complicado e trabalhoso criar um bebê, a gente acaba se surpreendendo com nosso poder de adaptação e, ao mesmo tempo, com tanta coisa que temos enrolada dentro da gente e que, de uma hora para outra, é colocada em choque.

Antes éramos somente nós. Se estivéssemos felizes ou tristes, tudo bem, só tínhamos que nos preocupar com a nossa própria necessidade de ficar bem. Agora não. Há uma criança, que por maior capacidade de apreensão de conhecimento que tenha, é frágil e ainda depende exclusivamente de nós. Já não temos o direito de passar dias na fossa, de ficar de ressaca, de nos esconder do mundo. Há uma mini pessoa que precisa de nosso bem estar para aprender a ser feliz.

Isso por si já é uma pressão danada, especialmente para quem já tinha alguma dificuldade para sentir-se bem. Vivemos em um mundo que alimenta depressões, ansiedades, solidões, angústias. Um mundo doente (já dizia o Renato Russo). Lidar com tanta energia pesada não é uma tarefa fácil.

Há pessoas mais sensíveis, para quem essa tarefa é ainda mais árdua, pessoas cujas antenas estão sempre captando essas energias, e que precisam de alguma forma aprender a lidar com isso. Pois é: aprenda, pois o tempo urge e um bebê está em pleno crescimento, outra anteninha ligada no 220 e captando tudo que você – sim, você – passa.

Ou seja, alegria, tristeza, ansiedade, raiva, rancor. Além de tudo que aprende normalmente: sentar, pegar objetos, comer, engatinhar etc., um bebê ainda capta cada emoção e cada sentimento das pessoas que estão mais próximas dele.

Nesse ponto, a pressão já foi quase em seu limite máximo. Agora junte a isso a necessidade de continuar sendo um indivíduo, mesmo vivendo uma espécie de “simbiose” momentânea com um serzinho mamão, chorãozinho e brincalhão. É preciso cuidar da própria saúde (física, mental e emocional, principalmente), dos relacionamentos, do trabalho, das amizades.

As mulheres, na maior parte das vezes, já parecem mais preparadas para essas mudanças todas, aprendem desde criança que serão mães, e existe uma espécie de instinto que nos impulsiona para isso, mais cedo ou mais tarde, salvo raras exceções. E ainda assim, tudo isso é muito difícil. Se a gente se descuida, começa a passar ansiedade para o bebê. Mas se investe tempo maior para si, sente-se culpada por não dar tudo que pode à criança.

E separar a imagem de mãe da imagem de mulher é complicado nos primeiros meses. A amamentação, acredito, também dificulta isso um pouco, pois a gente se sente parte do bebê e o bebê continua sendo parte de nós, como era na barriga (mas é muito bom!). Aos poucos, eles se distanciam, criam uma certa independência e aí começamos a sentir falta de um tempo maior para nós. Ótimo, pois é aí que voltamos a buscar nossa identidade, complementada pelo papel maternal.

Agora, difícil mesmo deve ser para os pais. Homens não são preparados para isso. Dificilmente têm essa ânsia de ter filhos, e vivem um peso gigante da sociedade que ainda os pressiona com o papel de provedores – isso é comprovado cientificamente, mesmo em famílias que dividem todas as despesas, a ansiedade paternal pela necessidade de garantir a subsistência da família é enorme.

Acredito que eles mesmos se impõem pressões, angústias, conflitos. Que se unem aos antes já existentes. A delícia de ter um bebê que se parece com você, que espera você chegar em casa para brincar e que imita tudo que você faz é permeada por um mundo de intenções, necessidades, problemas. Talvez a falta do tal instinto da mulher dificulte isso.

Aí, junta pai e mãe, homem e mulher, conflitos de Marte e conflitos de Vênus. Tudo misturado na mesma casa, com a correria do dia a dia e a nova rotina que está sendo ainda criada. Não tem como ser fácil, né? Acho que antigamente era um pouco mais tranqüilo porque existiam dois papéis distintos: a mulher tinha os filhos e os criava e os homens trabalhavam e mantinham a casa. Simples assim.

A gente inventou de se emancipar e agora é tudo misturado. É preciso decidir quem fará o que, a quem delegar tarefas. Ou seja, ficou mais complicado. Talvez, quando bem resolvido, mais prazeroso e mais saboroso para ambas as partes, que podem vivenciar o que desejam sem imposições (ah ta), mas quantas pessoas conseguem essa coisa do “bem resolvido”?

A questão é: a vida está aí para nos ensinar os melhores caminhos. Com a vontade de acertar e as pressões internas diminuídas, é possível aprender a ser todos os papéis que temos nessa vida. Como um homem incrível (que está aprendendo muito nos últimos tempos, com todas as dificuldades possíveis) me disse hoje: é preciso “pensar com o coração”. AMO.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bulling de mãe. Existe?

Eu sempre tive um pensamento: eu teria um filho (ou filhos) e o (s) colocaria na escolinha quando chegasse a hora. Babá, nem pensar, ainda mais morando em uma cidade como São Paulo, onde é mais difícil conhecer as pessoas etc. E a hora certa de colocar na escolinha, porque eu trabalhava fora de casa, era o 4º ou 6º mês do bebê, dependendo do meu empregador. Eu não conhecia pessoas que tinham filhos e ficavam com eles em casa - ou entregavam para babás ou colocavam em escolinhas. E eu ficaria com a segunda opção.

Porém quando nosso filho nasce, as idéias mudam. E como mudam! Eu comecei a sofrer pensando no momento em que eu iria deixar aquele serzinho minúsculo (lembram como o Enzo nasceu pequenininho?) em um berçário. Mas consegui fazer um acordo no trabalho (já agradeci a Monica aqui, mas vale dizer de novo: obrigada!) e fazer boa parte das minhas tarefas do escritório de casa.
Vejam bem: nada contra as escolinhas! Se eu não tivesse feito o acordo na empresa, o Enzo estaria lá, na melhor que eu conseguisse e eu conviveria com isso, como todas as mães-heroínas que existem por aí! Mas não posso dizer que estou infeliz por ele estar casa. Claro que não! Eu agradeço a Deus todos os dias por essa oportunidade e gostaria que todas as mães pudessem ter esse privilégio.
Mas como eu não critico aquelas que seguem a necessidade e deixam seus filhos nos berçários da vida, gostaria muito de não sofrer críticas por não fazer o mesmo. Eu brinquei ontem (mas será que é tão bricadeira assim?) que estou sofrendo bulling de mãe, rs. Tudo que acontece com o Enzo, bom ou ruim, mas especialmente as coisas não tão boas assim, são culpa dele não estar na escolinha.

Desmamar será mais difícil por ele estar em casa. Ele ficará mais manhoso por estar em casa. Ele vai ser menos sociável por estar em casa. Ele será mais egoísta por estar em casa. Ele será menos esperto e inteligente por estar em casa. E eu pergunto: será???
Nem eu nem meus irmãos fomos para berçários. Tínhamos babá em casa, cuidando exclusivamente da gente o dia todo. E obviamente, quando minha mãe chegava nos cobria de amores. E nenhum de nós foi criança manhosa ou burra ou egoísta ou antisocial e nenhum de nós mamou por tempo maior do que o necessário. Tem a filha de um casal de amigos meus que também foi criada em casa, metade por babá, metade pela avó, metade pela mãe que trabalhava em casa como eu e metade pelo pai que também tinha horário flexível (sim, tudo isso de metade). E é uma criança incrível.

As pessoas usam frases como: desmamar em casa será complicado, se ele fosse para a escolinha isso seria natural. Natural não, forçado, né? Mais "fácil" porque tem motivo, necessidade, não é tão flexível. E fácil do ponto de vista prático, porque tem amiga minha aí prá dizer o quanto emocionalmente difícil é essa transição.
O Enzo estar em casa hoje é uma benção. E torna algumas coisas mais fáceis e outras mais difíceis. Vai chegar uma hora em que será necessário para ele ir a uma escola: para conviver com crianças da idade dele, para gastar energia, para aprender coisas diferentes. Mas hoje ele é pequeno, está ainda começando a ter noção do outro e mal senta sozinho. E pode ficar em casa, então fica.

Meu dia a dia está um malabarismo só. Eu estava psicologicamente preparada para sofrer a dor da separação diária e continuar a mesma rotina, e tudo isso me pegou de surpresa. Uma doce surpresa. E assim como com relação ao andador, tudo que eu quero é ser respeitada na minha (nossa) decisão. Como as pessoas têm coisas para falar!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Não pode!

Desde que engravidei, me deparei com um sem fim de "podes" e "não podes". Não pode carregar peso, tem que tomar sol no peito, não pode pintar o cabelo, tem que dormir em decúbito lateral esquerdo (juro), e por aí vai. E pesquisa vai, médicos-mães-amigas vêm, uma coisa eu descobri: absolutamente tudo tem dois lados, opiniões diferentes e em absolutamente tudo precisa imperar uma coisa (que obviamente nem todo mundo tem): o bom senso.
Mas nada, nenhum conselho ou crendice ligados à gravidez se compara ao depois do nascimento do bebê. Meu Deus, quanta opinião diversa! E então os pais de primeira viagem, já atarantados com tanta novidade e com foco único e exclusivo em manter vivo aquele ser minúsculo, precisam também conviver com os conselhos e "preocupações" alheias. E ainda precisam escolher um médico pediatra que não apenas tenha feito uma boa escola e que seja perito em examinar a goela da criança sem que ela morra se esguelando, mas tem também que ter uma linha de pensamento (diga-se opinião pessoal) com as quais os pais (que já tentam desesperadamente concordar entre si) se identifiquem.
Não pode deixar a criança dormir no peito, mas tem que deixar ela mamar 20 minutos (eu disse 20, e ele nem 10 conseguia sem dormir) pra engordar e acostumar com o peito; não pode deixar a criança usar o peito de chupeta, mas também não pode dar chupeta porque prejudica a fala. Isso só pra citar as duas primeiras e mais simples dicotomias de ser pai/mãe.
Há opiniões diferentes para tudo: há que pesquisar muito, ouvir muitas opiniões e tomar as próprias decisões. E torcer pra dar certo, tendo certeza que o mais importante é tomá-las com parcimônia e amor. Nós tiramos o protetor de berço, que nunca tinha feito mal pro Enzo, porque não pode usar: "Deus me livre, ele pode sufocar". E aí, sem o protetor, ele, que já dormia 8 horas por noite, acordou 3 noites seguidas batendo a cabecinha na madeira do berço. Ah, quer saber? O protetor voltou, e com muito cuidado e carinho, nosso bebê vai muito bem, obrigada.
E para não me alongar muito, porque esse assunto rende e eu to caindo pelas tamancas, a última das polêmicas: o famigerado andador. Eu tenho uma familia gigante, que obviamente sempre é cheia de bebês e por isso tem casos de todos os tipos: aqueles que usaram e aqueles que não usaram - nenhum de nós teve problema algum. E ainda assim a gente pesquisou bastante antes de tomar a decisão e compramos o andador: para proporcionar mais um estímulo para o Enzo, não para ter uma babá de 6 rodas. Ele tem a altura certa: permite que o Enzo sente para descansar e que coloque o pé inteiro no chão e não apenas a ponta, nós nunca o deixamos sozinho (como eu disse, é mais um estímulo que damos a ele, com ele) e nem por muito tempo, até porque ele cansa de tudo muito rápido. E ele fica feliz da vida nos seus minutos de "liberdade", explorando o mundo ao redor, e depois volta para outras atividades, como o chão prá aprender a engatinhar e os travesseiris que estimulam a sentar sozinho. Mas o que ele mais gosta é da gente segurar e ele ficar em pé.


Ah, e só pra terminar: o Enzo usa chupeta, protetor de berço e quando teve febrinha, dormiu com a gente sim. E quer saber? Ele é feliz, a gente também. E nós, com muita pesquisa, bom senso e amor, tentamos fazer o mundo dele ser uma delícia, como o nosso é com ele por perto!

domingo, 22 de maio de 2011

Congela!!!

Definitivamente, ser mãe é uma coisa dúbia (rs)! A gente quer que o filho comece a falar logo, que o primeiro dentinho apareça logo, que ele dê os primeiros passinhos, cada dia é uma conquista. Mas a gente também fica com uma sensação de que tudo passa muito rápido, e que não dá tempo de curtir como a gente queria cada momento. Dá uma vontade de congelar o tempo e ficar naquele estado de graça.
Mas não dá, a chaleira tá apitando, a máquina de lavar parou de funcionar, tem que cuidar para a papinha não queimar, e fazer aquela entrevista pro texto sair. Ou seja: aproveita, amiga, olha praquele rostinho e decora aquela expressão, e torce pra ele repetir, porque não deu tempo de bater uma foto!
Aí eu fico pensando: ser mãe é um baita aprendizado pra a vida - de paciência, de "deixa estar", de ser feliz ali, quando dá, porque ser feliz é um estado de espírito, mas tempo pra curtir a materialidade daquela alegria é algo escasso! Ainda assim, porque será que as pessoas continuam "matando" o tempo? A filosofia chinesa prega viver o aqui e o agora, já que o que passou não volta e o que vem ainda não aconteceu - e digo mais, depende unicamente de como você vive o presente! Quantos acidentes poderiam ser evitados se a pessoa não quisesse ter um carro de vantagem? Quantas separações poderiam ser evitadas se as pessoas se ouvissem? Como a vida seria diferente se a gente diminuisse a marcha e parasse de viver no automático?
Eu sinto, muitas vezes, vontade de congelar o momento. Mas aí sou invadida por uma sensação maravilhosa: a certeza de que isso vai acontecer todos os dias da minha vida! Como diria a Anita (eu não aguento, vou roubar essa expressão pra mim): PUROAMOR!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe é um coração só

No ano passado, nessa mesma época, eu estava exultante, vivendo o terceiro mês de uma gravidez mais do que desejada. Recebi felicitações, bilhetinhos, flores. E naquela época a coisa mais linda desse mundo ainda era um feijãozinho e nem chutava na minha barriga. E eu já era feliz. Mais do que feliz, eu já me considerava a mulher mais sortuda do mundo, com uma pontinha de dúvida se aquilo era verdade e se aquele presente ia mesmo se concretizar (infelizmente, aprendi desde cedo que "quando a esmola é demais, o santo desconfia").

Hoje, um ano depois, parece mentira que tenho no meu colo um bebê de quase seis meses, que já quer sentar sozinho, pegar a colher sozinho, acha que sabe a melhor para tudo nessa vida (estamos trabalhando essa parte da paciência nele, rs) e que já passou por fases tão distintas: de magrinho a fofinho, de moreninho e loirinho, de dorminhoco a chorão na hora de dormir, de cheirosinho a sugismundo de papinha e assim por diante.

Naquela época eu achava que eu era sortuda. Achava que era feliz. Achava que a vida não poderia ser melhor do que era com aquele coraçãozinho a mais batendo dentro de mim. E quer saber? Podia. Porque hoje, sem dúvidas, eu sou mais feliz do que eu era um ano atrás. E acredito que esse sentimento seja mutante e exponencial. E vai continuar enquanto eu e ele existirmos. Porque agora o meu coração bate fora de mim, né? Sabe como é: mãe é um coração gigante, que ou está batendo de alegria ou de apreensão, ou está cheio de orgulho ou de tristeza, ou tá colorido com a presença filial, ou está apertadinho e morrendo de saudade.

Acho que depois que a gente é mãe passa a ter mais consciência do nosso próprio coração. Antes a gente nem dava bola - a não ser quando estava apaixonada - ficava ele lá, esquecido, batendo corriqueiro com as coisas do dia a dia. Mas agora? Meu Deus, agora é um sobressalto aqui, um derramamento de doçura ali. Mãe é coração puro. E como sofre. É dor e delícia, trabalho e compensação. E eu fico pensando que já fui assim, pequenininha, no colo da minha mãe, e que ela me amou tanto quanto e amo meu filho. E aí eu a amo ainda mais. E é um tal de amor prá cá, amor prá lá. Ainda bem que isso tudo existe, porque senão a vida seria muito menos maravilhosa, cheirosa e aconchegante.

Obs. mãe, eu queria estar aí, mas tu sabes que moras no meu coração, que nada disso teria acontecido se tu não tivesse me escolhido prá ser tua filha. Muito obrigada! Te amo*

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Radarzinho

A Tati e o Pado (tios avós do Enzo, óh!) vieram pra Sampa pro show do U2 (uau) e aproveitaram pra conhecer o Enzo antes da muvuca do casamento do ano (Tiko e Dani, os próximos na lista da cegonha, se Deus quiser). A Tati apelidou o Enzo de radarzinho, segundo ela porque ele fica atento, prestando atenção em tudo, com a cabecinha pra lá e pra cá.
to devendo uma foto da Tati, elas ainda estão na máquina :(

Eu sempre soube que ele era esperto, mesmo ainda não conseguindo desvirar depois de cansar de ficar de bruços, rs. Mas depois disso, comecei a prestar mais atenção ao jeito dele aprender as coisas (a gente, leia-se mãe, que fica junto direto, acaba deixando passar certas análises, é bom ter referências externas). E preciso dizer: como o cérebro humano é incrível! Que Divina criação que ultrapassa todas as barreiras e avança continuamente...


O Enzo acaba de completar 5 meses. Só cinco meses, no mínimo 2 deles passados mamando e dormindo apenas, e ele já mudou tanto! Já aprendeu tanta coisa, já fica nos imitando às vezes, fica vidrado vendo a gente comer ( vai ser bom garfo o gurizinho e tenho cá com os meus botões que vai amar pipoca!), gargalha, se irrita, pede colo, e parece que ontem mesmo ele ainda estava na minha barriga!!!


O David que ama, porque a interatividade é cada vez maior e hoje temo dizer que ele quase ama o pai tanto quanto a mim. Eu disse "quase", rs! Ele tem preferências claras (carros e cachorros, por exemplo, e ama banana, que só perde pro leitinho da mamãe), personalidade, charme, manias.


Eu sempre gostei daquela marca de roupas infantis MINI HUMANOS, e pensando bem, a sensação que dá ao ver nosso filho evoluindo tão depressa é essa mesmo, de que temos um mini humano em casa, fofo, cheiroso, risonho e comilão. E a grande aventura segue, sempre melhor.

Conclusão: não há monotonia quando se tem um bebê, todo dia é dia de primeira vez!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Doce rotina

Um dia uma mulher levantou revoltada com o marido e decidiu queimar sutiã (calma, eu sei que não foi assim, esse texto é só uma brincadeira). Achou que seria mais fácil sair para trabalhar - os outros que cuidem da casa, da roupa, dos filhos. Mal sabia ela que estava criando uma coisa chamada multifunções (alguém mais detesta a propaganda daquela marca que fala que é feita para a "multimulher"?).
Ao invés de trocar, agregamos. Em busca de liberdade de escolha, criamos um padrão inatingível de perfeição - que pode não ser totalmente exteriorizado, mas vive como um monstro dentro do nosso inconsciente. Eu tenho que ser profissional, mãe, mulher e, sempre, não adianta dizer que não: dona de casa. Mesmo aquelas que têm a vantagem de contar com a ajuda de uma secretária do lar (antigamente conhecida como doméstica, rs) precisa ditar regras, coordenar o trabalho, fazer compras ou ao menos listar o que é necessário. Não adianta: mesmo chegando em casa depois de um dia estafante de trabalho, você ainda terá que dar uma olhada na casa para ver como está tudo.
Ok, ok, eu sei que muitas famílias estão mudando isso, vários pais estão ficando em casa para cuidar dos filhos enquanto as mulheres vão à luta no competitivo mercado de trabalho (onde, diga-se de passagem, elas ainda ganham menos do que eles na mesma função). Mas o problema nem sempre está no que se pode ver. Enquanto as mulheres não aprenderem a relaxar e fazer suas escolhas sem seguir padrões pré-estabelecidos, o problema vai continuar.
E ele se chama estresse, ou síndrome da fadiga crônica, ou síndrome do pânico, ou simplesmente "estou arrancando meus cabelos"... a gente se obriga a ser uma mãe dentro dos padrões, vencer todos os prazos do trabalho, deixar a casa impecável e ainda estar com a unha feita, o cabelo escovado e com o tratamento anti-celulite em dia.
Esses dias eu estava vendo a nova novela das oito e a Camila Pitanga, uma diretora de marketing bem sucedida que engravidou do peguete que não quer saber de compromisso, estava destilando seu fel sobre sua condição de mulher jovem, bonita e bem-sucedida - aliás, ter sucesso no trabalho, segundo ela, extingue as poucas chances de uma mulher encontrar um parceiro. E ela, que conquistou tudo que uma feminista de folhetim poderia querer (inclusive uma produção independente), revela que na verdade o que sempre quis foi encontrar um amor para compartilhar a vida: "ficar velhinhos juntinhos, sabe?".
Então porque cargas d'água ela foi fazer faculdade sozinha na cidade grande e foi galgando tantas posições em empresas de vários tamanhos, numa sede de sucesso, se tudo que ela queria era casar e ter filhos? PORQUE SE VOCÊ NÃO FIZER ISSO, HOJE, É CRITICADA. Pronto, falei.
Aí, a gente vai empurrando as adolescentes para serem protagonistas de histórias que elas não amam, não desejam, não querem. Como a gente faz isso? Através de papéis femininos que estão estampados nas revistas (desde aquelas para molequinhas), nos livros, na televisão, no cinema etc.
A outra lá também é uma mulher de sucesso, se apaixona pelo Tarcisão (que velho bonito, né? Afe), mas não pode beijá-lo em público porque isso vai torná-la fraca aos olhos dos colegas. Como diria minha amiga Anita: o que é isso, colhega? E o direito que tanto desejamos lá atrás de ser e fazer o que bem entendermos?
Enfim. Por causa disso tudo, hoje eu acordei, lavei roupa, alimentei meu filho, troquei fralda, fiz café, lavei louça, alimentei os cachorros, limpei o quintal, vi meus emails, enviei questionários a clientes, escrevi meio texto já e aí parei para colocar isso tudo aqui. Detalhe: ainda são 10:12h!!!
Depois não sei porque fico acabada antes das 21h. Um lixo... ontem eu disse pro David que to precisando de um dia de princesa. Ou seria um dia de rainha... do lar? rs


Retirado do www.babycenter.com.br

terça-feira, 15 de março de 2011

Criança nota 10

Logo que o Enzo nasceu e minha cabeça fervilhava com tantas dúvidas sobre desenvolvimento infantil lembro que alguém me disse: os seres humanos são diferentes, únicos, cada um tem seu tempo, seu jeito próprio de aprender e crescer. Porque a primeira coisa que mãe de primeira viagem faz é pesquisar o desenvolvimento "certo" de um bebê mês a mês e comparar seu filho. Nada pior do que isso para a sanidade mental e emocional de uma pessoa.
Entender que os bebês são seres humanos (sim, porque por um tempo a gente acha que eles são uma "classe" à parte, com um universo de possibilidades diferentes, e quer enquadrá-los em padrões, esperando que eles façam tudo que outros bebês fazem ao mesmo tempo e do mesmo jeito) foi um bálsamo na minha vida.
Mas confesso que o ideal seria se todos entendessem isso. Porque a gente encontra outras mães e até pais e as perguntas se repetem: O seu já faz isso? O seu já fez aquilo? Ele ainda não começou com isso? Chega ao ponto do seu bebê ser avaliado e de nos questionarem sobre o que a pediatra fala sobre determinada coisa.


O Enzo é uma criança saudável, graças a Deus. Talvez por ter sido "tirado" antes, ele nasceu com 38 semanas (lembrando: de cesárea porque eu estava com a pressão alterada e ele tinha chegado a um bom tamanho para o parto), alguns detalhes do desenvolvimento vão acontecer um pouco mais tarde.
Inclusive os sites (os mais sérios, ao menos) sempre têm, ao final de qualquer texto, o lembrete de que cada criança é única e que o que se diz sobre aquela idade é sempre uma média, nunca uma determinação. Especialmente, por exemplo, para crianças prematuras.
O Enzo certamente pode demorar um pouco mais para fazer certas coisas do que a Lavínia, por exemplo, dos fofos Letícia e Daniel, que tem 2 semanas a menos mas nasceu de parto normal e, se não me engano, com 41 semanas. E tem mais, minha sobrinha e afilhadinha linda Maria Cecília tem 1 ano e 5 meses e fala um monte de coisas. Vira prá vovó e pede: "qué vê o pábo", pedindo prá minha mãe colocar o CD dos Backyardigans. O meu priminho fofo, João Francisco, é alguns meses mais velho e não fala tanto. E os dois são normais, saudáveis e maravilhosos. Cada um aprendendo as coisas a seu tempo.
Não dá prá julgar o desenvolvimento infantil baseado em padrões pré-estabelecidos. É preciso levar em conta o histórico do próprio bebê, o que ele aprende mês a mês, os estímulos que tem etc. A Maria Cecília (tá bom, vai, minha fofinha é meio precoce, rs) tinha praticamente todos os dentinhos com 1 ano de idade. A Sophia, da Sara e do Carlos, acabou de completar 1 ano e tem apenas alguns deles. Novamente: duas crianças saudáveis com momentos diferentes para atingir metas de desenvolvimento.
Se a gente ficar se impondo padrões, pressionando a nós mesmos para que nossos filhos aprendam tudo antes, sejam os primeiros da classe, estejam sempre dentro da descrição do que faz uma criança da sua idade, corremos o risco de tirar deles o que de melhor tem a vida: a espontaneidade de cada um.
Eu sempre penso na minha própria história: eu vivi a minha infância e adolescência tentando ser sempre a melhor da classe. Estudava demais, queria aprender antes dos outros. Até me ver adulta, cheia de dúvidas sobre se aquele comportamento tinha me dado o que eu queria de verdade. Meus professores queriam que eu fosse médica, para aproveitar a vontade e a facilidade de aprender. Eu fui ser jornalista (e vamos combinar, ninguém precisa ser CDF para ser jornalista).
Sou feliz escrevendo. Mas demorei para entender que o processo do estudo em si é que deve ser divertido, e não atingir sempre o nível máximo do aprendizado. Vou tentar agir com outra filosofia na educação do meu filho. Não importa se ele está um pouco abaixo do peso, se ainda não aprendeu a virar de bruços sozinho, se ainda não consegue engolir direito as frutinhas amassadinhas. Importa se ele aprende as coisas a seu tempo, se está saudável e é feliz. O resto é uma questão de viver, dia após dia, cada conquista, que é única e especial.


Tem coisa melhor do que isso???