Ao invés de trocar, agregamos. Em busca de liberdade de escolha, criamos um padrão inatingível de perfeição - que pode não ser totalmente exteriorizado, mas vive como um monstro dentro do nosso inconsciente. Eu tenho que ser profissional, mãe, mulher e, sempre, não adianta dizer que não: dona de casa. Mesmo aquelas que têm a vantagem de contar com a ajuda de uma secretária do lar (antigamente conhecida como doméstica, rs) precisa ditar regras, coordenar o trabalho, fazer compras ou ao menos listar o que é necessário. Não adianta: mesmo chegando em casa depois de um dia estafante de trabalho, você ainda terá que dar uma olhada na casa para ver como está tudo.
Ok, ok, eu sei que muitas famílias estão mudando isso, vários pais estão ficando em casa para cuidar dos filhos enquanto as mulheres vão à luta no competitivo mercado de trabalho (onde, diga-se de passagem, elas ainda ganham menos do que eles na mesma função). Mas o problema nem sempre está no que se pode ver. Enquanto as mulheres não aprenderem a relaxar e fazer suas escolhas sem seguir padrões pré-estabelecidos, o problema vai continuar.
E ele se chama estresse, ou síndrome da fadiga crônica, ou síndrome do pânico, ou simplesmente "estou arrancando meus cabelos"... a gente se obriga a ser uma mãe dentro dos padrões, vencer todos os prazos do trabalho, deixar a casa impecável e ainda estar com a unha feita, o cabelo escovado e com o tratamento anti-celulite em dia.
Esses dias eu estava vendo a nova novela das oito e a Camila Pitanga, uma diretora de marketing bem sucedida que engravidou do peguete que não quer saber de compromisso, estava destilando seu fel sobre sua condição de mulher jovem, bonita e bem-sucedida - aliás, ter sucesso no trabalho, segundo ela, extingue as poucas chances de uma mulher encontrar um parceiro. E ela, que conquistou tudo que uma feminista de folhetim poderia querer (inclusive uma produção independente), revela que na verdade o que sempre quis foi encontrar um amor para compartilhar a vida: "ficar velhinhos juntinhos, sabe?".
Então porque cargas d'água ela foi fazer faculdade sozinha na cidade grande e foi galgando tantas posições em empresas de vários tamanhos, numa sede de sucesso, se tudo que ela queria era casar e ter filhos? PORQUE SE VOCÊ NÃO FIZER ISSO, HOJE, É CRITICADA. Pronto, falei.
Aí, a gente vai empurrando as adolescentes para serem protagonistas de histórias que elas não amam, não desejam, não querem. Como a gente faz isso? Através de papéis femininos que estão estampados nas revistas (desde aquelas para molequinhas), nos livros, na televisão, no cinema etc.
A outra lá também é uma mulher de sucesso, se apaixona pelo Tarcisão (que velho bonito, né? Afe), mas não pode beijá-lo em público porque isso vai torná-la fraca aos olhos dos colegas. Como diria minha amiga Anita: o que é isso, colhega? E o direito que tanto desejamos lá atrás de ser e fazer o que bem entendermos?
Enfim. Por causa disso tudo, hoje eu acordei, lavei roupa, alimentei meu filho, troquei fralda, fiz café, lavei louça, alimentei os cachorros, limpei o quintal, vi meus emails, enviei questionários a clientes, escrevi meio texto já e aí parei para colocar isso tudo aqui. Detalhe: ainda são 10:12h!!!
Depois não sei porque fico acabada antes das 21h. Um lixo... ontem eu disse pro David que to precisando de um dia de princesa. Ou seria um dia de rainha... do lar? rs

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