domingo, 22 de maio de 2011
Congela!!!
Mas não dá, a chaleira tá apitando, a máquina de lavar parou de funcionar, tem que cuidar para a papinha não queimar, e fazer aquela entrevista pro texto sair. Ou seja: aproveita, amiga, olha praquele rostinho e decora aquela expressão, e torce pra ele repetir, porque não deu tempo de bater uma foto!
Aí eu fico pensando: ser mãe é um baita aprendizado pra a vida - de paciência, de "deixa estar", de ser feliz ali, quando dá, porque ser feliz é um estado de espírito, mas tempo pra curtir a materialidade daquela alegria é algo escasso! Ainda assim, porque será que as pessoas continuam "matando" o tempo? A filosofia chinesa prega viver o aqui e o agora, já que o que passou não volta e o que vem ainda não aconteceu - e digo mais, depende unicamente de como você vive o presente! Quantos acidentes poderiam ser evitados se a pessoa não quisesse ter um carro de vantagem? Quantas separações poderiam ser evitadas se as pessoas se ouvissem? Como a vida seria diferente se a gente diminuisse a marcha e parasse de viver no automático?
Eu sinto, muitas vezes, vontade de congelar o momento. Mas aí sou invadida por uma sensação maravilhosa: a certeza de que isso vai acontecer todos os dias da minha vida! Como diria a Anita (eu não aguento, vou roubar essa expressão pra mim): PUROAMOR!!!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Mãe é um coração só
Hoje, um ano depois, parece mentira que tenho no meu colo um bebê de quase seis meses, que já quer sentar sozinho, pegar a colher sozinho, acha que sabe a melhor para tudo nessa vida (estamos trabalhando essa parte da paciência nele, rs) e que já passou por fases tão distintas: de magrinho a fofinho, de moreninho e loirinho, de dorminhoco a chorão na hora de dormir, de cheirosinho a sugismundo de papinha e assim por diante.
Naquela época eu achava que eu era sortuda. Achava que era feliz. Achava que a vida não poderia ser melhor do que era com aquele coraçãozinho a mais batendo dentro de mim. E quer saber? Podia. Porque hoje, sem dúvidas, eu sou mais feliz do que eu era um ano atrás. E acredito que esse sentimento seja mutante e exponencial. E vai continuar enquanto eu e ele existirmos. Porque agora o meu coração bate fora de mim, né? Sabe como é: mãe é um coração gigante, que ou está batendo de alegria ou de apreensão, ou está cheio de orgulho ou de tristeza, ou tá colorido com a presença filial, ou está apertadinho e morrendo de saudade.
Acho que depois que a gente é mãe passa a ter mais consciência do nosso próprio coração. Antes a gente nem dava bola - a não ser quando estava apaixonada - ficava ele lá, esquecido, batendo corriqueiro com as coisas do dia a dia. Mas agora? Meu Deus, agora é um sobressalto aqui, um derramamento de doçura ali. Mãe é coração puro. E como sofre. É dor e delícia, trabalho e compensação. E eu fico pensando que já fui assim, pequenininha, no colo da minha mãe, e que ela me amou tanto quanto e amo meu filho. E aí eu a amo ainda mais. E é um tal de amor prá cá, amor prá lá. Ainda bem que isso tudo existe, porque senão a vida seria muito menos maravilhosa, cheirosa e aconchegante.Obs. mãe, eu queria estar aí, mas tu sabes que moras no meu coração, que nada disso teria acontecido se tu não tivesse me escolhido prá ser tua filha. Muito obrigada! Te amo*
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Radarzinho
to devendo uma foto da Tati, elas ainda estão na máquina :(
O Enzo acaba de completar 5 meses. Só cinco meses, no mínimo 2 deles passados mamando e dormindo apenas, e ele já mudou tanto! Já aprendeu tanta coisa, já fica nos imitando às vezes, fica vidrado vendo a gente comer ( vai ser bom garfo o gurizinho e tenho cá com os meus botões que vai amar pipoca!), gargalha, se irrita, pede colo, e parece que ontem mesmo ele ainda estava na minha barriga!!!

O David que ama, porque a interatividade é cada vez maior e hoje temo dizer que ele quase ama o pai tanto quanto a mim. Eu disse "quase", rs! Ele tem preferências claras (carros e cachorros, por exemplo, e ama banana, que só perde pro leitinho da mamãe), personalidade, charme, manias.

Eu sempre gostei daquela marca de roupas infantis MINI HUMANOS, e pensando bem, a sensação que dá ao ver nosso filho evoluindo tão depressa é essa mesmo, de que temos um mini humano em casa, fofo, cheiroso, risonho e comilão. E a grande aventura segue, sempre melhor.
Conclusão: não há monotonia quando se tem um bebê, todo dia é dia de primeira vez!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Doce rotina
Ao invés de trocar, agregamos. Em busca de liberdade de escolha, criamos um padrão inatingível de perfeição - que pode não ser totalmente exteriorizado, mas vive como um monstro dentro do nosso inconsciente. Eu tenho que ser profissional, mãe, mulher e, sempre, não adianta dizer que não: dona de casa. Mesmo aquelas que têm a vantagem de contar com a ajuda de uma secretária do lar (antigamente conhecida como doméstica, rs) precisa ditar regras, coordenar o trabalho, fazer compras ou ao menos listar o que é necessário. Não adianta: mesmo chegando em casa depois de um dia estafante de trabalho, você ainda terá que dar uma olhada na casa para ver como está tudo.
Ok, ok, eu sei que muitas famílias estão mudando isso, vários pais estão ficando em casa para cuidar dos filhos enquanto as mulheres vão à luta no competitivo mercado de trabalho (onde, diga-se de passagem, elas ainda ganham menos do que eles na mesma função). Mas o problema nem sempre está no que se pode ver. Enquanto as mulheres não aprenderem a relaxar e fazer suas escolhas sem seguir padrões pré-estabelecidos, o problema vai continuar.
E ele se chama estresse, ou síndrome da fadiga crônica, ou síndrome do pânico, ou simplesmente "estou arrancando meus cabelos"... a gente se obriga a ser uma mãe dentro dos padrões, vencer todos os prazos do trabalho, deixar a casa impecável e ainda estar com a unha feita, o cabelo escovado e com o tratamento anti-celulite em dia.
Esses dias eu estava vendo a nova novela das oito e a Camila Pitanga, uma diretora de marketing bem sucedida que engravidou do peguete que não quer saber de compromisso, estava destilando seu fel sobre sua condição de mulher jovem, bonita e bem-sucedida - aliás, ter sucesso no trabalho, segundo ela, extingue as poucas chances de uma mulher encontrar um parceiro. E ela, que conquistou tudo que uma feminista de folhetim poderia querer (inclusive uma produção independente), revela que na verdade o que sempre quis foi encontrar um amor para compartilhar a vida: "ficar velhinhos juntinhos, sabe?".
Então porque cargas d'água ela foi fazer faculdade sozinha na cidade grande e foi galgando tantas posições em empresas de vários tamanhos, numa sede de sucesso, se tudo que ela queria era casar e ter filhos? PORQUE SE VOCÊ NÃO FIZER ISSO, HOJE, É CRITICADA. Pronto, falei.
Aí, a gente vai empurrando as adolescentes para serem protagonistas de histórias que elas não amam, não desejam, não querem. Como a gente faz isso? Através de papéis femininos que estão estampados nas revistas (desde aquelas para molequinhas), nos livros, na televisão, no cinema etc.
A outra lá também é uma mulher de sucesso, se apaixona pelo Tarcisão (que velho bonito, né? Afe), mas não pode beijá-lo em público porque isso vai torná-la fraca aos olhos dos colegas. Como diria minha amiga Anita: o que é isso, colhega? E o direito que tanto desejamos lá atrás de ser e fazer o que bem entendermos?
Enfim. Por causa disso tudo, hoje eu acordei, lavei roupa, alimentei meu filho, troquei fralda, fiz café, lavei louça, alimentei os cachorros, limpei o quintal, vi meus emails, enviei questionários a clientes, escrevi meio texto já e aí parei para colocar isso tudo aqui. Detalhe: ainda são 10:12h!!!
Depois não sei porque fico acabada antes das 21h. Um lixo... ontem eu disse pro David que to precisando de um dia de princesa. Ou seria um dia de rainha... do lar? rs

terça-feira, 15 de março de 2011
Criança nota 10
Entender que os bebês são seres humanos (sim, porque por um tempo a gente acha que eles são uma "classe" à parte, com um universo de possibilidades diferentes, e quer enquadrá-los em padrões, esperando que eles façam tudo que outros bebês fazem ao mesmo tempo e do mesmo jeito) foi um bálsamo na minha vida.
Mas confesso que o ideal seria se todos entendessem isso. Porque a gente encontra outras mães e até pais e as perguntas se repetem: O seu já faz isso? O seu já fez aquilo? Ele ainda não começou com isso? Chega ao ponto do seu bebê ser avaliado e de nos questionarem sobre o que a pediatra fala sobre determinada coisa.

O Enzo é uma criança saudável, graças a Deus. Talvez por ter sido "tirado" antes, ele nasceu com 38 semanas (lembrando: de cesárea porque eu estava com a pressão alterada e ele tinha chegado a um bom tamanho para o parto), alguns detalhes do desenvolvimento vão acontecer um pouco mais tarde.
Inclusive os sites (os mais sérios, ao menos) sempre têm, ao final de qualquer texto, o lembrete de que cada criança é única e que o que se diz sobre aquela idade é sempre uma média, nunca uma determinação. Especialmente, por exemplo, para crianças prematuras.
O Enzo certamente pode demorar um pouco mais para fazer certas coisas do que a Lavínia, por exemplo, dos fofos Letícia e Daniel, que tem 2 semanas a menos mas nasceu de parto normal e, se não me engano, com 41 semanas. E tem mais, minha sobrinha e afilhadinha linda Maria Cecília tem 1 ano e 5 meses e fala um monte de coisas. Vira prá vovó e pede: "qué vê o pábo", pedindo prá minha mãe colocar o CD dos Backyardigans. O meu priminho fofo, João Francisco, é alguns meses mais velho e não fala tanto. E os dois são normais, saudáveis e maravilhosos. Cada um aprendendo as coisas a seu tempo.
Não dá prá julgar o desenvolvimento infantil baseado em padrões pré-estabelecidos. É preciso levar em conta o histórico do próprio bebê, o que ele aprende mês a mês, os estímulos que tem etc. A Maria Cecília (tá bom, vai, minha fofinha é meio precoce, rs) tinha praticamente todos os dentinhos com 1 ano de idade. A Sophia, da Sara e do Carlos, acabou de completar 1 ano e tem apenas alguns deles. Novamente: duas crianças saudáveis com momentos diferentes para atingir metas de desenvolvimento.
Se a gente ficar se impondo padrões, pressionando a nós mesmos para que nossos filhos aprendam tudo antes, sejam os primeiros da classe, estejam sempre dentro da descrição do que faz uma criança da sua idade, corremos o risco de tirar deles o que de melhor tem a vida: a espontaneidade de cada um.
Eu sempre penso na minha própria história: eu vivi a minha infância e adolescência tentando ser sempre a melhor da classe. Estudava demais, queria aprender antes dos outros. Até me ver adulta, cheia de dúvidas sobre se aquele comportamento tinha me dado o que eu queria de verdade. Meus professores queriam que eu fosse médica, para aproveitar a vontade e a facilidade de aprender. Eu fui ser jornalista (e vamos combinar, ninguém precisa ser CDF para ser jornalista).
Sou feliz escrevendo. Mas demorei para entender que o processo do estudo em si é que deve ser divertido, e não atingir sempre o nível máximo do aprendizado. Vou tentar agir com outra filosofia na educação do meu filho. Não importa se ele está um pouco abaixo do peso, se ainda não aprendeu a virar de bruços sozinho, se ainda não consegue engolir direito as frutinhas amassadinhas. Importa se ele aprende as coisas a seu tempo, se está saudável e é feliz. O resto é uma questão de viver, dia após dia, cada conquista, que é única e especial.

quinta-feira, 3 de março de 2011
A primeira gargalhada
Sim, surpresa total. Parece que foi ontem... e você pensa: quando foi que ele nasceu que eu nem consigo me lembrar? Parece que esse serzinho esteve a vida toda com você.O encantamento da maternidade (sim, para mim foi encantamento) toma a gente de assalto, faz tudo ser diferente, te domina por inteiro. Até que aos poucos você se dá conta de que ainda é uma pessoa, de que a vida continua, de que tudo que mudou agora precisa mudar um pouco de novo para que você volte ser duas: mãe e mulher. Mas não adianta: mesmo a mulher agora amadureceu. Para mim, a maternidade trouxe um senso maior de autoconhecimento. O que antes acontecia por acontecer hoje tem sentido. Tem que valer a pena.
Minha essência continua a mesma, o que mudou foi a necessidade de respeitá-la. Mas poucas pessoas entendem isso. Até quem já é mãe custa a entender, já que cada experiência é única e pessoal. Mas é assim. E é por isso que me sinto mais completa e feliz, porque as coisas que busco hoje são verdadeiras e me preenchem.
Se a gente não se questionar, não se conhecer e não buscar aquilo que realmente importa, vamos vivendo no modo automático, sem perceber que o tempo passa e não conquistamos o mais importante: nossa própria individualidade. Uma grande amiga e professora um dia me disse: quando você chegar "lá", Deus vai perguntar o que você fez da sua vida. Da SUA vida. Não da vida do seu marido, dos seus pais, dos seus irmãos, nem do seu filho, embora encaminhá-lo seja uma tarefa das mais importantes da sua própria caminhada. Mas da SUA vida.
Você tinha sonhos, expectativas, vontades, o que você fez para realizá-los? Você ansiou, desejou, planejou, o que fez para que tudo se tornasse verdade? O mais fácil é a gente colocar a culpa nisso ou naquilo e deixar a vida passar. É difícil tomar decisões, escolher. Porque sempre que se escolhe algo, se deixa de escolher outra coisa. Não se pode ter tudo, não é mesmo?
Mas no fim do dia, o que importa é viver sua verdade pessoal, correr atrás do seus sonhos, das suas vontades, respeitar o seu próprio eu e ser você mesma em tudo. Só assim a alegria imensa de ouvir a primeira gargalhada é completa e absoluta.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Ócio da licença maternidade
Cuidar do meu filho, que dia 09 vai completar 3 mesinhos de vida, é a coisa que mais amo no mundo. Mais ainda do que escrever, que era antes meu prazer maior. E ainda assim durante os segundos em que revi minha rotina, me senti muito cansada. Isso porque divido meu tempo entre os cuidados com ele e os afazeres diários de quem não tem uma empregada doméstica (será que é isso, será que ela tem uma empregada e metade das tarefas já não fazem mais parte da sua rotina? Vou me sentir mais normal se for isso, rs).
Lavar roupa (as dele, principalmente, até porque o Enzo nasceu magrinho e mesmo a fralda RN sempre deixou passar cocozinhos pelas perninhas, rs), cozinhar (porque tenho que estar alimentada para que ele também esteja), lavar louça, tirar o pó (porque com criança pequena em casa tem que estar sempre tudo mais limpinho, né?), isso só para lembrar de algumas coisas.Ah, e isso porque o papai, além de ajudar com o pimpolho sempre que dá, ainda vai no super, lava o quintal e tira o lixo prá mim. E tá dando uma atençãozinha pros cachorros, tadinhos, porque nem prá isso sobra muito tempo na minha rotina.
E além disso tudo, já comecei a ensaiar alguns trabalhos, até para não perder o jeito. Mas sempre com foco principal no Enzo, afinal de contas, ele ainda está na fase das dores, e começou a conversar e quer atenção sempre que está acordado (e confesso que muitas vezes eu é que fico lá embasbacada, vendo ele conversar e sorrir e tudo mais. Babona).Pensando nisso tudo, mesmo apaixonada, pensei: que ócio? Onde está o tempo livre para que pensar em que outras coisas mais posso me dedicar? rsrsrs.
Não sei se sou diferente, se sou normal, ou o que é normal. Mas hoje de manhã lembro de acordar com a exata sensação de que minha vida está completa. E o resto a gente vê depois. E me dedicar a esse serzinho que foi tão desejado, tão planejado é o mínimo a fazer para retribuir a Deus tanta felicidade!
